COE Bradesco se reúne com banco para debater PPR, educação e condições de trabalho

Na última sexta-feira, 20 de março, a Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Bradesco se reuniu com a direção do banco para discutir uma série de temas de interesse dos trabalhadores, com destaque para o Programa de Participação nos Resultados (PPR), iniciativas de qualificação profissional e questões relacionadas às condições de trabalho.

Sérgio Arantes, novo representante da Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro dos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo (Fetraf RJ/ES) na COE Bradesco, participou da reunião.

Um dos principais pontos da reunião foi o debate sobre o programa de PPR “Supera”. A COE iniciou a discussão sobre a ampliação do programa, com a possibilidade de inclusão de novas áreas — Atacado, Wealth, Tesouraria e Pesquisa Econômica. Também foram tratadas questões relacionadas à renovação do acordo, assinado no ano passado.

Entre as reivindicações do movimento sindical estão o aumento do valor fixo do PRB (Programa de Remuneração Bradesco, criado em 2025 e atrelado ao novo PPR “Supera”), a redução do percentual de ROAE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido) exigido para o pagamento do PRB e a inclusão das bancárias em licença-maternidade no recebimento do “Supera”. Além disso, foram levantadas preocupações sobre o cumprimento de metas, o esvaziamento de carteiras e a transparência no acompanhamento do desempenho individual. O banco se comprometeu a analisar os pontos apresentados e dar retorno à comissão.

Outro tema abordado foi a plataforma “Único Skill”, relacionada ao auxílio educação. A COE questionou o banco sobre informações divulgadas na mídia, e o Bradesco esclareceu que se trata de um projeto piloto iniciado em dezembro de 2025, com duração prevista até junho de 2026. A iniciativa oferece bolsas de estudo para cerca de 5 mil trabalhadores, sendo 2 mil da rede e 1,3 mil da área de tecnologia. Caso os resultados sejam positivos, o banco afirmou que poderá discutir a ampliação do programa com a comissão, inclusive com a possibilidade de inclusão em acordo coletivo.

A comissão também manifestou preocupação com a dispensa do controle de ponto eletrônico para um grupo específico de trabalhadores: os ocupantes do cargo de Gerente de Relacionamento Empresas, sob a justificativa de realização de trabalho externo. Para a COE, a medida é insegura e pode abrir margem para irregularidades. Com a implementação de um novo sistema que permite o registro de jornada via notebook, a representação dos trabalhadores solicitou a revisão da decisão. O banco informou que está avaliando o pedido.

Durante a reunião, a COE ainda questionou o Bradesco sobre notícias relacionadas a mudanças no conglomerado de saúde do banco. A instituição esclareceu que as alterações não impactam os funcionários, seus benefícios ou a apólice da Bradesco Saúde, que permanecem inalterados.

Segundo o banco, houve uma reorganização estrutural com a consolidação dos negócios de saúde sob a Odontoprev, que passará a atuar como uma holding, sob o nome BradSaúde. A proposta é simplificar a gestão, aumentar a eficiência e criar um ecossistema integrado, reunindo operadoras de planos, hospitais, laboratórios e plataformas tecnológicas.

Precisamos reforçar a importância de avançarmos no PPR ‘Supera’. A ampliação para novas áreas é fundamental para garantir isonomia e reconhecer o esforço de todos os segmentos do banco. Também precisamos discutir seriamente o aumento do valor fixo do PRB e a redução do ROAE exigido, porque hoje esses critérios acabam excluindo trabalhadores que entregam resultados, mas são penalizados por metas e indicadores que fogem ao seu controle. Além disso, é inaceitável que bancárias em licença-maternidade fiquem de fora do recebimento do Supera. Esperamos que o banco análise com responsabilidade todos esses pontos e traga um retorno concreto”, comentou Sérgio Arantes.

E completou. “Também nos preocupa as mudanças no conglomerado de saúde. Embora o Bradesco tenha afirmado que não haverá impacto para funcionários, benefícios ou apólices, é essencial que essa garantia seja acompanhada de transparência contínua. A consolidação sob a Odontoprev — agora BradSaúde — muda a estrutura do ecossistema de saúde do grupo, e queremos assegurar que isso não resulte em restrições futuras, aumento de custos ou perda de qualidade no atendimento. Seguiremos monitorando de perto.”

*com informações da Contraf-CUT