O clima durante a quarta rodada de negociações da Campanha Nacional das Bancárias e dos Bancários, nesta terça-feira (21 de julho), não foi nada agradável, com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) ameaçando a manutenção da mesa única, as cláusulas de saúde e se recusando em discutir saídas para o endividamento da categoria.
Nilton Esperança, Presidente da Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro dos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo (Fetraf RJ/ES), Carlos Pereira (Carlão), Coordenador Geral do Sindicato dos Bancários do Espírito Santo, e Claudinei Ramos, Presidente do Sindicato dos Bancários de Angra dos Reis e Região, representaram a entidade na reunião.
“A verdade é que foi uma negociação decepcionante. Os bancos não quiseram discutir pauta alguma e com ameaças, tentando separar as mesas de bancos públicos dos bancos privados. Isso não aceitaremos. A mesa única é fundamental. Em relação ao endividamento da categoria, é um absurdo os bancos não apresentarem uma proposta, já que seus lucros exorbitantes são alcançados com o trabalho e o esforço da categoria. Exigimos melhorias no ambiente de trabalho, com a aplicação da NR1 em sua totalidade, por exemplo. E que aproveitar e pedir para a categoria se mobilizar no próximo dia 28, onde teremos um Dia Nacional de Luta e Mobilização, para reforçar as reivindicações da campanha nas bases de todo o país“, declarou Nilton.


Endividamento da Categoria
Na mesa de hoje, a Fenaban também trouxe a devolutiva sobre um programa de juros baixos para os bancários saírem das dívidas, proposto pelo Comando Nacional na mesa anterior.
“Para justificar a negativa a este pedido, a Fenaban apresentou dados que não convenceram ninguém. Nós sabemos que entre os cinco maiores bancos existem taxas diferenciadas e eles poderiam adotar as menores dessas taxas para todos na categoria”, apontou Juvandia Moreira, Coordenadora do Comando Nacional.
“Enfrentar o endividamento também é uma medida de promoção da saúde. A pressão financeira se soma às exigências do ambiente de trabalho, agravando o estresse e ampliando os impactos sobre a saúde física e mental dos bancários”, completou Neiva Ribeiro, também coordenadora do Comando Nacional.
A única proposta apresentada pela Fenaban para a redução do endividamento foi terminar logo a campanha nacional e adiantar o pagamento da PLR.
“Só que terminar a campanha, depende dos bancos, de apresentarem uma boa proposta”, arrematou Juvandia Moreira.
Saúde e condições de trabalho
Sobre a pauta da saúde, o movimento sindical destacou que, em 2024, a categoria bancária representou 25% do total de afastamentos acidentários por doença mental pelo INSS. Os transtornos mentais são, inclusive, responsáveis por mais da metade dos afastamentos na categoria, conforme o quadro abaixo.

“A Consulta Nacional dos Bancários 2026, realizada com quase 55 mil trabalhadores, confirma os dados do INSS e a preocupação do comando, em relação à saúde”, destacou Mauro Salles, secretário de Saúde da Contraf-CUT.
No levantamento, realizado entre abril e maio deste ano, 40% afirmaram terem utilizado medicamentos controlados (antidepressivos, ansiolíticos ou estimulantes) no último ano.
Na pergunta “quais impactos a cobrança excessiva pelo cumprimento de metas causam à sua saúde?”, com possibilidade de múltipla escolha, as principais respostas foram:
– 67% afirmaram preocupação constante com o trabalho;
– 59%, que os impactos são cansaço e fadiga constante;
– 47% apontaram desmotivação, vontade de não ir trabalhar;
– 42% sofrem com crises de ansiedade/pânico;
– 39%, que estão com dificuldades em dormir, mesmo aos finais de semana; e
– 24%, com medo de “estourar” e perder a cabeça.
“Para enfrentar esse cenário, o Comando Nacional dos Bancários quer discutir, entre outros pontos, a implementação da NR-1 (Norma Regulamentadora nº1), com o mapeamento dos riscos psicossociais e acesso as informações de saúde na categoria”, destacou Mauro Salles.
A seguir, o resumo das reivindicações da categoria relacionadas à saúde:
1 – Fim das metas abusivas.
2 – Combate ao assédio moral, organizacional e algorítmico.
3 – Limites à vigilância digital e ao controle por algoritmos.
4 – Serviços médicos que acolham os trabalhadores adoecidos.
5 – Nenhuma perda de remuneração durante o adoecimento.
6 – Prevenção de riscos psicossociais — implementação da NR-1 e da NR-17.
“Existe o reconhecimento da academia e de órgãos oficiais, entre os quais OIT, OMS, Ministério do Trabalho e Emprego e Ministério Público do Trabalho, do nexo causal entre metas abusivas e adoecimento dos trabalhadores”, reforçou Mauro Salles. “Portanto, a responsabilidade pelo adoecimento não pode ser atribuída ao trabalhador, quando os fatores de risco decorrem da forma como o trabalho é organizado”, arrematou.
Fechamento da mesa
“Após a apresentação dos dados pelo Comando, a Fenaban travou a mesa, criando falsas polêmicas e ameaçando retirar todas as cláusulas de saúde já conquistadas na CCT. Nós, do Comando, reiteramos que a pauta da saúde é fundamental. Não vamos concluir a negociação sem discutir esse tema. E a mesa única é o lugar onde esse tema deve se tratado”, destacou Juvandia Moreira.
Após mais um pedido de intervalo, a Fenaban concordou em continuar a negociação de saúde na próxima mesa, agendada para o dia 30 de julho.
Dia Nacional de luta e mobilização
O Comando Nacional das Bancárias e dos Bancários aprovou a realização de um Dia Nacional de Luta e Mobilização, em 28 de julho, para reforçar as reivindicações da campanha nas bases de todo o país.
*com informações da Contraf-CUT