BB segue sem atender as principais reivindicações mas propõe clausular ações por igualdade e combate à violência doméstica

Em mais uma rodada de negociações por aumento real e melhores condições de trabalho, realizada nesta quarta-feira (19), em São Paulo, a gestão do Banco do Brasil não apresentou proposta às principais reivindicações das funcionárias e funcionários.

A representante da Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro dos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo (Fetraf RJ/ES) na CEBB e Diretora do Sindicato dos Bancários do Espírito Santo, Nathalia Gallini, participou da mesa de negociação.

Voltamos a cobrar o avanço nas negociações e a nossa pauta de reivindicações. Nesta quinta-feira (20), estaremos juntos na paralisação nacional pela valorização de toda a categoria”, declarou Nathalia.

O que a gestão do BB apresentou na mesa de negociação de hoje foi a garantia de clausular no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) as políticas de ações afirmativas, para que mulheres, pessoas com deficiência (PCD) e não brancos sejam priorizados nos processos seletivos internos da empresa.

O BB também disse que irá incluir no ACT uma cláusula de estabilidade na função comissionada por seis meses, após o retorno ao trabalho, para funcionárias vítimas de violência doméstica. A Lei Maria da Penha garante a manutenção do vínculo empregatício em casos de afastamentos por até seis meses. Com esta cláusula, a bancária vítima de violência teria ainda a garantia da manutenção de sua função comissionada.

Por fim, a direção do banco propôs uma cláusula para garantir a redução de jornada para mulheres em lactação induzida, ou seja, funcionárias que tenham feito tratamento para amamentar filhos não gestados ou adotados. Direito que seria estendido para casais homoafetivos em que as duas mães sejam funcionárias do BB.

Próxima rodada e dia nacional de paralisação

A data da próxima rodada da negociação específica entre BB e funcionários não tem data confirmada, mas a comissão dos funcionários seguirá em plantão permanente.

Entre 2015 e 2025, os cinco maiores bancos do país – incluindo o Banco do Brasil – aumentaram em 49% os contratos com correspondentes bancários, terceirizando seus serviços.

Esse é apenas mais um dado que evidencia a urgência de expansão — e não de corte — do quadro de funcionários pelos bancos. Ao apostarem na terceirização via correspondentes, na eliminação de postos e no fechamento de agências, as instituições financeiras recorrem a uma manobra para inflar seus lucros à custa da precarização laboral, da sobrecarga da equipe e da evidente piora no atendimento presencial e qualificado aos clientes”, completou Nathalia.

*com informações da Contraf-CUT

**fotos: Willy Roberto/Seeb-SP