Em reunião com a Fenaban, Comando Nacional propõe “Pacto pela saúde dos bancários”

Nesta sexta-feira, 15 de maio, o Comando Nacional das Bancárias e dos Bancários se reuniu com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), na mesa de Negociação Nacional Permanente sobre Saúde.

O Presidente da Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro dos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo (Fetraf RJ/ES), Nilton Esperança, e o Secretário de Imprensa e Comunicação do Sindicato dos Bancários do Espírito Santo, Carlos Pereira (Carlão), participaram da reunião.

Os casos de afastamento acidentário por saúde mental no setor financeiro aumentaram de 9,3% para 20%, entre 2012 e 2024 – o maior crescimento registrado no país entre todos os setores. Considerando apenas o subsetor bancário, os transtornos mentais responderam por 55,9% dos afastamentos acidentários em 2024, enquanto as LERT/DORT (doenças relacionadas a movimentos repetitivos e esforço excessivo no trabalho) por 20,3% dos afastamentos.

Não é competência dos bancos avaliarem atestado. É inadmissível que queiram punir os bancários por cancelamento de produtos vendidos pelos bancários, caracterizando um verdadeiro assédio moral. Queremos um compromisso de prevenir e corrigir os problemas detectados nos bancários. Por isso, cobramos uma relação de mão dupla e não de atitudes unilaterais como, por exemplo, a que foi tomada pelo Santander, ameaçando de punição os bancários que tem produtos cancelados pelos clientes, assim como o não cumprimento de metas”, declarou Nilton Esperança.

Reivindicações dos trabalhadores

O Comando Nacional reivindicou:

– Levantamento das causas dos afastamentos:que os bancos forneçam os dados epidemiológicos e documentos do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), conforme a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1).

– Combate aos fatores de riscos psicossociais:como metas abusivas, sobrecarga de trabalho, assédio moral, hipervigilância algorítmica, entre outras práticas de gestão abusiva.

O movimento sindical também propôs um “Pacto pela Saúde”, baseado nas normas de saúde, e que inclui:

– A participação dos trabalhadores na implementação da NR-1, que obriga as empresas a gerenciarem os riscos psicossociais relacionados ao trabalho, como sobrecarga, pressão por metas, conflitos e assédio moral, para prevenir Burnout e doenças mentais.

– O cumprimento das NR 17 e a NR 7, que já estão em vigor: a primeira determina que o trabalho deve ser adaptar às condições psicofisiológicas dos trabalhadores, enquanto a segunda determina a prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce de agravos relacionados ao trabalho.

Metas negativas

O secretário de Saúde da Contraf-CUT, Mauro Sales destacou que os sindicatos vem registrando as chamadas “metas negativas”, que ocorrem quando o trabalhador é punido com o descomissionamento da remuneração variável ou com advertências, quando, por exemplo, um cliente desiste de um produto após ter fechado sua contratação.

“A categoria bancária não tem mais perspectiva de carreira, se sente pressionada com o medo do fechamento de agências, perda de empregos, descomissionamentos, metas negativas, e quando adoece não é acolhida. Tudo isso contribui para os riscos psicossociais”, explicou.

Por fim, Salles denunciou o crescimento de casos de trabalhadores com atestados, convocados para avaliação por médicos do banco e sendo pressionados para voltar ao trabalho, antes de terminar o período de tratamento. “Além de irregular, essa prática tem sido um dos problemas que os trabalhadores enfrentam para acessar benefícios do INSS, portanto impedidos do tempo necessário de recuperação”, destacou.

Socorro adequado pelos bancos

Na mesa de negociação, Juvandia Moreira citou o caso de uma bancária do Banco do Brasil, de uma agência de Ji-Paraná, que ao ter uma crise de ansiedade aguda no local de trabalho, ao invés de ser socorrida pelo banco e encaminhada para uma unidade de saúde, teve apenas um familiar comunicado para que fosse até a unidade.

Foi cobrado dos bancos que, em uma situação como essa, a empresa tem a responsabilidade de prestar imediatamente o socorro adequado ao trabalhador, conforme determina a legislação, para então comunicar os familiares.

Resposta da Fenaban e encaminhamentos

A Fenaban aceitou discutir a NR 1 com os trabalhadores, assim como as demais reivindicações desta reunião, no primeiro encontro da Campanha Nacional Unificada das bancárias e dos bancários, prevista para começar entre final de junho e início de julho. Portanto, Saúde será o primeiro tema da série de encontros para renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria.

“Não queremos negar a responsabilidade dos bancos com o cumprimento da NR 1, pelo contrário, que as empresas assumam e cumpram as normas com a participação dos trabalhadores”, destacou Mauro Salles.

Na questão da convocação de bancários afastados por atestados do INSS, para avaliação e validação dos atestados por médicos do banco, a Fenaban abriu divergência e insistiu na manutenção da prática.

Sobre este ponto, Mauro Salles rebateu que osbancos não são peritos e que o INSS é a entidade qualificada para identificar e atestar se um trabalhador deve ou não ser afastado.

*com informações da Contraf-CUT