GT de Saúde cobra respostas do Itaú sobre práticas que afetam bancários afastados

Nesta quarta-feira (8/4), o Grupo de Trabalho (GT) de Saúde dos empregados do Itaú se reuniu com representantes do banco, na sede da Contraf-CUT, em São Paulo, para dar continuidade às negociações sobre uma série de problemas que vêm sendo denunciados pelos trabalhadores.

Felipe Silva, representante da Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro dos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo (Fetraf RJ/ES) na COE Itaú, participou da reunião, que foi precedida de um encontro preparatório do GT, realizado no dia anterior.

Essa reunião reforça aquilo que os trabalhadores já vêm denunciando há muito tempo: o adoecimento no Itaú não pode continuar sendo tratado com frieza, automatismo e falta de sensibilidade. Não é razoável que bancários afastados, muitos deles em situação de extrema vulnerabilidade, ainda sejam submetidos a convocações indevidas, ameaças de advertência e insegurança, quanto aos seus direitos. O que cobramos do banco é respeito, humanização e responsabilidade na condução dos temas de saúde. Saúde do trabalhador não pode ser tratada como procedimento burocrático, mas como prioridade real”, comentou Felipe.

A pauta do encontro manteve os principais pontos cobrados reincidentemente pelo movimento sindical, com destaque para as convocações para exames médicos (Atestado de Saúde Ocupacional – ASO; e Avaliação de Capacidade Laboral – ACL), o funcionamento do canal de denúncias – incluindo o balanço do canal voltado à violência contra a mulher – e questões relacionadas a descontos em contracheques.

Convocações indevidas seguem como principal problema

Um dos temas centrais da negociação foi a continuidade das convocações consideradas indevidas para exames médicos, especialmente de trabalhadores afastados pelo INSS ou que aguardam perícia para prorrogação do benefício. O banco já havia se comprometido a não realizar estas convocações.

De acordo com relatos levados ao banco, mesmo quando os empregados informam sua condição por meio dos canais oficiais, como o IU Conecta, as convocações não são canceladas e, em alguns casos, há ameaça ou aplicação de advertências automáticas pelo não comparecimento.

Além disso, o GT voltou a denunciar situações em que bancários são convocados para novos exames mesmo após avaliação recente ou quando ainda não tiveram retorno da perícia, evidenciando falhas no processo e desrespeito à condição de saúde dos trabalhadores.

A coordenadora do GT de Saúde, Rosângela Lorenzetti, criticou a postura do banco e cobrou mudanças efetivas. “Não é aceitável que o Itaú continue descumprindo compromissos assumidos e expondo trabalhadores adoecidos a esse tipo de pressão. Estamos falando de pessoas em tratamento, que precisam de acolhimento e respeito, não de ameaças ou práticas automatizadas que agravam ainda mais o seu estado de saúde”, afirmou.

Canal de denúncias segue sob questionamento

Outro ponto importante da reunião foi o funcionamento do canal de denúncias do banco (Ombudsman). O GT voltou a cobrar melhorias no fluxo de apuração, garantia de sigilo, proteção ao denunciante e maior agilidade nas respostas, especialmente em casos de assédio moral e sexual.

O responsável pelo serviço não pôde comparecer à reunião. O banco apresentou como funciona o Ombudsman e também o canal de atendimento às mulheres vítimas de violência, que no Itaú é feito através do “Programa Fique OK”. Segundo o banco, houve 724 atendimentos em 2025. No primeiro trimestre de 2026 foram 166 atendimentos. O banco explicou, ainda que não significa que este seja o total de pessoal atendidas, pois tratam-se se atendimentos, podendo ser vários atendimentos de uma mesma pessoa.

Os representantes dos trabalhadores reforçaram a importância do canal “Basta! Não Irão nos Calar”, mantido pela Contraf-CUT e por sindicatos da categoria. O canal oferece acolhimento às mulheres vítimas de violência e pode ser utilizado também por quem prefere não recorrer aos canais institucionais do banco.

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Os representantes dos trabalhadores também reforçaram a necessidade de transparência no funcionamento do Ombudsman e cobraram a apresentação de dados sobre o canal específico para denúncias de violência contra a mulher. O banco ficou de trazer na próxima reunião a quantidade de pessoas atendidas.

A coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú, Valeska Pincovai, destacou que a confiança no canal é fundamental para o enfrentamento das violações no ambiente de trabalho. “Sem garantia de sigilo, proteção e um fluxo adequado, o canal de denúncias não cumpre seu papel. O trabalhador precisa se sentir seguro para denunciar, e hoje essa segurança não está garantida no canal do banco, que precisa assumir sua responsabilidade e promover mudanças estruturais nesse processo”, disse.

Valeska também orientou que os empregados procurem seus sindicatos para registrar a denúncia. Nesses casos, as entidades de representação conseguem proteger os trabalhadores e encaminhar os relatos ao banco preservando o sigilo do trabalhador ou da trabalhadora denunciante.

Descontos e inconsistências na folha também entram na pauta

A reunião também tratou de problemas relacionados a descontos em contracheques durante o período de afastamento, especialmente em casos de antecipações salariais debitadas antes mesmo do recebimento do benefício do INSS, o que pode gerar endividamento dos trabalhadores.

Além disso, foram relatadas dificuldades no tratamento de documentos enviados pelos empregados e inconsistências na comunicação do banco, que têm contribuído para insegurança e prejuízos financeiros.

Movimento sindical cobra soluções concretas

O GT de Saúde reforçou que os problemas apresentados não são pontuais, e sim recorrentes, e que o banco precisa apresentar soluções concretas e cumprir os compromissos já assumidos em reuniões anteriores.

“Precisamos determinar um prazo para que o banco retorne sobre a possibilidade de data intermediária para o ASO, sem que seja no dia seguinte”, cobrou Rosângela. O banco disse que vai levar a questão para a direção e dará retorno o mais breve possível para a Contraf-CUT e o GT de Saúde do Itaú.

“Além disso, não concordamos com a convocação para avaliação médica de bancários e bancárias que estejam com o benefício ativo. Pois, nestes casos, o contrato de trabalho está suspenso”, ressaltou a coordenadora do GT de Saúde.

Para o movimento sindical, é fundamental que o Itaú adote uma postura mais responsável e humanizada na gestão da saúde dos trabalhadores, garantindo respeito aos afastamentos médicos, transparência nos processos e proteção efetiva contra práticas abusivas.

As negociações vão continuar, com o acompanhamento das entidades sindicais, até que haja avanços efetivos nas demandas apresentadas pelos bancários.

Campanha de vacinação

O banco informou que a campanha de vacinação contra a gripe (H1N1) está prevista para ser iniciada no dia 27 de abril, mas que mandará em breve o calendário com as datas de vacinação em cada base.

*com informações da Contraf-CUT