Movimento Sindical entrega pauta de reivindicações ao Itaú

Nesta quarta-feira, 1º de julho, a Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú e o Comando Nacional dos Bancários entregaram a pauta de reivindicações específicas dos trabalhadores à direção do banco.

O documento reúne uma série de propostas voltadas à preservação dos empregos, melhoria das condições de trabalho, saúde, diversidade, segurança, remuneração e acompanhamento das reestruturações em curso na instituição.

Felipe Souza, representante da Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro dos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo (Fetraf RJ/ES) na COE) Itaú, que esteve presente na entrega da minuta, comentou que “ a pauta entregue ao Itaú, representa as principais preocupações dos trabalhadores neste momento de tantas mudanças dentro do banco.”

E completou. “Nosso objetivo é garantir que qualquer processo de reestruturação aconteça com diálogo, transparência e respeito aos bancários. Esperamos que o banco valorize este processo de negociação e avance em temas fundamentais, como a preservação dos empregos, melhores condições de trabalho, saúde, valorização dos trabalhadores e respeito aos direitos conquistados. Seguiremos firmes, acompanhando cada mudança e defendendo os interesses dos bancários em todas as mesas de negociação.”

*Felipe (à dir.) e a representante do banco, Marina Madeira

Durante a reunião, o movimento sindical destacou que o Itaú atravessa um amplo processo de reestruturação, com impactos diretos sobre a vida dos bancários, e reforçou a necessidade de que o banco valorize o processo negocial e dialogue com os representantes dos trabalhadores sobre as mudanças.

Entre os principais pontos da pauta estão o fim do fechamento de agências; valorização dos trabalhadores nos processos de realocação, com garantia de emprego; criação de uma mesa permanente sobre diversidade; acolhimento aos trabalhadores adoecidos; fim das convocações para exames médicos que desconsiderem os laudos dos médicos assistentes; combate ao assédio moral; participação dos trabalhadores na implementação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1); reforço da segurança nas agências; manutenção dos benefícios durante afastamentos por saúde; transparência na utilização de ferramentas de monitoramento baseadas em inteligência artificial e debate sobre a implementação da IA nos processos de trabalho.

A pauta também reivindica melhorias no banco de horas; transparência na reestruturação dos modelos Uniclass e Phygital; plano de saúde para aposentados; estabelecimento de teto para a coparticipação dos empregados admitidos a partir de 2015; reajuste dos valores de reembolso para consultas e procedimentos médicos, além da ampliação da rede credenciada.

Outras reivindicações incluem a readequação das metas no retorno da licença-maternidade; redução da jornada para empregados com filhos com deficiência; manutenção dos debates sobre programas de remuneração variável no Grupo de Trabalho; valorização das bolsas de estudo e dos subsídios para cursos de idiomas e certificações profissionais; criação de um plano de previdência para todos os trabalhadores; e melhoria no reembolso de combustível para empregados que realizam visitas a clientes.

Banco apresenta projeto para atendimento a aposentados

Durante a reunião, o Itaú apresentou um projeto-piloto voltado ao atendimento de clientes aposentados, que será implantado inicialmente nos estados de São Paulo e Paraná.

Segundo o banco, as unidades participantes passarão por adequações de layout, mas os empregados permanecerão nos mesmos cargos. As metas serão ajustadas de acordo com os produtos específicos do segmento, e os trabalhadores receberão treinamento para atuar no novo modelo de atendimento.

O banco informou ainda que estuda a possibilidade de abertura de novas agências, contratação de funcionários e manutenção de caixas de atendimento, conforme a necessidade identificada em análises específicas. Também assumiu o compromisso de apresentar previamente à COE as mudanças previstas, além de compartilhar informações sobre tempo de filas e os impactos da reorganização nas demais unidades.

Home office segue como ponto de divergência

Outro tema debatido foi a mudança no regime de trabalho híbrido prevista para 2027 e 2028. O Itaú reafirmou que manterá a decisão de ampliar a presença dos empregados nos escritórios, alegando que a medida busca reduzir os impactos do trabalho remoto na integração das equipes, na dinâmica de trabalho e no desenvolvimento profissional.

A representação dos trabalhadores reiterou sua posição contrária à mudança, defendendo a manutenção do modelo atual. A COE destacou que o trabalho remoto tem contribuído para a qualidade de vida dos empregados, especialmente diante dos longos deslocamentos nos grandes centros urbanos, sem prejuízo à produtividade.

O movimento sindical também solicitou que o banco realize uma pesquisa para ouvir a opinião dos trabalhadores sobre o novo modelo, proposta que foi rejeitada pela direção da empresa. Diante da negativa, a COE informou que fará seu próprio levantamento para subsidiar as próximas negociações.

Além disso, os representantes dos trabalhadores cobraram a manutenção da ajuda de custo prevista no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) para quem atua em regime híbrido. O Itaú informou que cerca de 2 mil empregados atualmente em regime de trabalho totalmente remoto (full remote) permanecerão nessa modalidade.

**com informações da Contraf-CUT