O CARINHO A QUEM MERECE – HELONEIDA STUDART

Não é verdade. Não é verdade que as pessoas com deformidades ou deficiências de qualquer tipo, inspirem repugnância ou nojo aos cidadãos ditos normais. Isso é um conceito nazi-fascista. Tão arraigado entre os seguidores dessa ideologia que, na Alemanha de Hitler, as crianças nascidas com alguma deficiência eram sacrificadas.

Não é verdade que se tenha repulsa diante de uma criança com síndrome de Down, de um paralisado cerebral, de quem nasceu com falta de algum membro (lembram-se da geração talidomida?) ou de quem o perdeu em acidente.

Os aidéticos também não inspiram horror a quem esta com saúde. Abraçamos e beijamos carinhosamente os nossos conhecidos aidéticos, até porque sabemos que o carinho não contagia ninguém.

Não é verdade que o sofrimento dos outros nos cause “uma natural repulsa”. É ao contrario. Nas famílias emocionalmente bem formadas, as crianças com algum tipo de deficiência, são as mais amadas. Basta olhar a ternura infinita das mães que se debruçam sobre berços de criaturinhas que não falam e que nunca falarão, que não andam e que nunca andarão. Basta ver o afeto e o cuidado de pais que empurram cadeiras de rodas de crianças lesionadas, ou o zelo de filhos jovens também empurrando cadeiras de rodas de pais vitimas de derrames ou tromboses. Mesmo os que não tem qualquer tipo de fé, sabem que Jesus foi ao encontro dos cegos e aleijados de todo o tipo, com imenso amor. As melhores criaturas que a humanidade produziu amaram e protegeram as fragilidades de qualquer tipo. Repugnante é o preconceito. Asquerosa é a tentativa de separar as pessoas, os saudáveis de um lado e os portadores de qualquer deficiência , de outro. Doente está quem sente dessa maneira tão cruel. Muito doente das emoções, dos sentimentos, da sensibilidade. É inútil desdizer-se agora, ou pedir desculpas. Quem falou primeiro foi o inconsciente, a verdade mais profunda, escondida nos porões da alma.

Vamos contestar esse conceito. Vamos mostrar que acreditamos na igualdade de todas as pessoas, em sua beleza intrínseca, em sua dignidade e cidadania.

É a melhor maneira de sufocar, no ninho, o ovo da serpente.

 

 

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