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O COVID 19 mata !

 

Os sindicatos de todo o país vem alertando para a gravidade da epidemia por Coronavírus e a necessidade premente de medidas de prevenção e contenção de sua disseminação, e por isso entregamos em nossa última reunião, por videoconferência, com a Fenaban, 17 reivindicações, incluindo o fechamento das agências bancárias e demais unidades, mantendo atendimento não presencial das atividades consideradas essenciais conforme decreto. Nossa pauta não surgiu do acaso ou de algum surto de “achismo”, mas referenciado nos minuciosos estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS) . Como podemos ver na mídia, no caso dos pacientes infectados na China e na Itália, a velocidade de transmissão do vírus é espantosa, e a gravidade dos quadros em internos em UTI’s que foram a óbito. Quantos mais terão falecido, vítimas do Covid 19, quando terminarmos está leitura?
Está pandemia é agravada pelos inescrupulosos disseminadores de fakenews, que estão aqui como propagadores de pânico e de histeria, ao contrário dos movimentos sindicais organizados, seguidores do que diz a ciência e seus especialistas, que sabem o COVID 19, ser algo muito mais que uma “gripezinha”. Enquanto isso muitos se perguntam, de forma perturbadora: quantos leitos de UTI providos de intubação e ventilação mecânica estarão disponíveis para os próximos pacientes de coronavírus? Segundo a OMS, se ações não forem tomadas haverá um alastramento descontrolado da infecção, que é de elevadíssimo contágio, e muitos morrerão nas portas dos hospitais.
Por isso senhores banqueiros AJAM COM RESPONSABILIDADE! Temos que nos manter unidos e operantes até debelar está pandemia, que poderá ser crescente entre os próximos 4 ou até 6 meses. Até lá, precisamos de medidas efetivas de contenção de risco de contaminação, e não uma pauta de metas, demissões e lucros.
Gostaria também de reforçar para que a população fique em casa. O isolamento social é defendido pela OMS como o meio mais eficaz para evitar o crescimento da epidemia.
Unidos Somos Fortes!

Nilton Damião Esperança
Presidente da FETRAF-RJ/ES

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Convenção Nacional dos Bancários é contrarreforma trabalhista

Nilton Damião Esperança*

A assinatura da Convenção Coletiva de Trabalho Nacional dos Bancários, na última sexta-feira, 31, é uma vitória importantíssima para os trabalhadores bancários de empresas privadas e públicas. O desafio era imenso: esta foi a primeira Campanha Nacional dos Bancários que aconteceu após a reforma trabalhista proposta pelo governo ilegítimo e aprovada por nosso Congresso retrógrado e comprometido com os empresários. Corremos o sério risco de perder todas as conquistas duramente alcançadas ao longo de quase noventa anos de movimento sindical bancário e que se tornaram referência para diversas categorias de trabalhadores.

Iniciamos nossa Campanha Nacional Unificada 2018 em meio a uma conjuntura desfavorável, com as mudanças na CLT e na iminência da votação da legalização da terceirização irrestrita pelo STF. Diante destas condições, a estratégia adotada pelo Comando Nacional dos Bancários foi fortalecer a unidade e organização dos trabalhadores, tendo como lema a manutenção de todos direitos.

Ao longo de uma série de 10 rodadas de negociação, recebemos apoios e críticas, naturais num processo desse porte. Nossa estratégia foi manter a mobilização para termos capacidade de deflagrar uma greve a qualquer momento, mas, ao mesmo, tempo evitar o risco de levarmos Campanha Nacional para dissídio coletivo, que poderia nos ser desfavorável.

Ao final, conseguimos manter nossa unidade como dirigentes sindicais, seguindo as orientações do Comando Nacional. Com intensa participação dos diretores dos 13 sindicatos da base da federação, construímos manifestações, assembleias, conferências estaduais, regionais, a nacional.

Como resultado, conquistamos não apenas a reposição total da inflação e aumento real, como também todos os direitos previstos pela Convenção Coletiva de Trabalho, bem como nos Acordos Aditivos do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal para os próximos dois anos (2018/2020). A CCT e os ACTs foram aprovados em assembleias lotadas por todo o Brasil e asseguram direitos e remuneração para cerca de 450 mil trabalhadores de bancos públicos e privados em todo o Brasil.

Nossa Convenção se torna agora uma referência para todas as outras categorias organizadas e trará um forte impacto na economia nacional, devido ao reajuste nos salários, vales alimentação e refeição e a PLR.

As consequências positivas desse acordo histórico da categoria bancária também vão colaborar para o fortalecimento dos bancos federais e com a luta por melhores condições de trabalho.

UNIDOS SOMOS FORTES!!!

 

* Nilton Damião Esperança é presidente da Fetraf-RJ/ES e representante da entidade no Comando Nacional dos Bancários.

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Um manifesto ou a gente escreve de puro engasgo

Viviana Ribeiro*

20180722
Um homem um marido joga Tatiane pela janela do quarto andar da casa do casal

20170720
A amiga diz para outra amiga que tem medo do namorado e dorme com uma faca embaixo do travesseiro

20180219
A amiga diz para outra amiga que não consegue romper com o namorado que a agride

20180722
Tatiane diz para amiga que está criando coragem para se separar do marido que “tem ódio mortal dela”

20180807
o que sai nos jornais é: “Mulher cai da janela do quarto andar…”
Embora no corpo da reportagem, escrevam coisas do tipo “marido está preso e é suspeito de feminicídio…”

19702014
no corpo da reportagem não importa, ninguém lê
O que importa são as manchetes

20180808
Uma planta cai da janela
Um sapato cai da janela
Uma mulher que já chega em casa apanhando do marido e continua apanhando ininterruptamente não cai da janela. mesmo se ela estivesse tentando fugir.

20180315
É necessário é urgente ensinar as crianças que um homem – marido namorado companheiro irmão pai tio filho estranho estrangeiro – não pode matar um corpo, especialmente, de mulher

2018010120180808
É necessário é urgente aprender a criar outras relações entre nós

20180720
Todos são iguais. não somos todos iguais. e homens matam mulheres porque estão convictos que podem. e há forças sociais seculares que fundaram e mantêm essa convicção

20180808
Poder: capacidade ou possibilidade de
Possuir força física ou moral
Ter ocasião ou meio de
Ter força, vontade ou energia moral para
Ter domínio ou controle sobre
Direito ou capacidade de decidir, agir e ter voz de mando; autoridade
Possibilidade, natural ou adquirida, de fazer determinadas coisas
Supremacia em dirigir e governar ações de alguém pela imposição da obediência, domínio, influência
Ter força física para
Ter força histórica política e social para

12152018
Ao longo dos séculos, homens estão convictos de que podem matar mulheres

201807270828
Tatiane Silvia Ana Maria Rosa Cláudia – o caso singular como marca da história –

19751020
A questão fundamental é indagarmos quais as condições que tornaram possível tal convicção masculina e as forças sociais que a promoveram/promovem ou que dela foram/são cúmplices

2003152018
Como surgiu o patriarcado?

20180808
A questão do controle violento do corpo da mulher, especialmente, a reprodução, está no centro do capitalismo. de XII até hoje

197519852018
Se Marx tivesse atentado para a história violenta das mulheres e percebido como essa violência é um dos elementos centrais da formação e manutenção da sociedade capitalista, talvez…talvez, tivesse eleito as mulheres [e não os proletários] como as protagonistas da revolução

 

* Viviana Ribeiro é mestra em filosofia pela Universidade Federal Fluminense (UFF), docente e cofundadora do IPIA – Comunidade de Pensamento
(Site: www.ipiacomunidade.com.br, Facebook: @IpiaComunidade)

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Privatização da loteria instantânea abre novo capítulo de perdas para a Caixa e o Brasil

Por Rita Serrano*

O governo Temer marcou para 4 de julho o leilão da Loteria Instantânea Exclusiva, a Lotex, administrada pela Caixa. A venda integra o Programa Nacional de Desestatização, com as empresas participantes disputando um contrato de 15 anos no lance mínimo de R$ 542 milhões. Há informações de que grupos da Itália, Portugal, Grécia e EUA manifestaram interesse. E, apesar da decisão controversa, o governo determinou que a Caixa não deverá participar do leilão.

A privatização da Lotex representa uma perda gigantesca para os brasileiros. As loterias Caixa, de forma global, registraram em 2017 uma arrecadação próxima a R$ 14 bilhões. Desse montante, quase metade (48%) foi destinado a programas sociais nas áreas de Educação, Esporte, Cultura, Saúde e Previdência, percentual que deve ser reduzido drasticamente, já que o leilão prevê repasse social de apenas 16,7%. Ao privatizar a partir de editais que só facilitam a participação de multinacionais estrangeiras, o Brasil vai aos poucos perdendo sua soberania, pois essas empresas não têm interesse em investir no País, ganham altas cifras e enviam as divisas para suas matrizes no Exterior. O mesmo critério vem sendo usado em outros casos, como na venda dos ativos da Petrobrás e subsidiárias da Eletrobrás, expondo a real intenção do governo golpista de dilapidar o patrimônio dos brasileiros.

Para explorar a loteria instantânea a Caixa chegou a constituir, em 2015, a Caixa Instantânea S/A, sociedade por ações de capital fechado. Nesse cenário, mesmo que a privatização da Lotex ocorresse, o banco poderia permanecer como sócio minoritário. Mas a decisão de promover a privatização apenas da outorga teve como resultado a exclusão da instituição do processo.

O valor a ser arrecadado no leilão também mudou, e muito. Em 2016 especulava-se em até R$ 4 bilhões; no primeiro edital, em 2017, com concessão de 25 anos, o valor mínimo estava em quase um 1 bilhão. Agora a expectativa caiu drasticamente, considerando-se o lance mínimo de R$ 542 milhões para 15 anos de concessão, um valor questionável. Segundo estimativas do Banco do Brasil, a concessionária arrecadaria, em apenas um ano, cerca de 7,6 vezes mais. Já a Caixa sofreria perda de receita potencial anual da ordem de R$ 4,2 bilhões. Considerando outra estimativa, a do Tribunal de Contas da União (TCU), a arrecadação da concessionária seria correspondente a 4,5 vezes a outorga mínima. Trata-se, portanto, de prejuízo ao erário e ao interesse público.

Além disso, o chamado payout (o equilíbrio entre o total arrecadado e o percentual destinado aos prêmios) fica na média dos 44% no Brasil, abaixo da média mundial, superior a 50%, e bem abaixo do estabelecido no leilão, de 65%. Isso significa que outros produtos das loterias da Caixa poderão perder significativamente na concorrência com as empresas estrangeiras que eventualmente venham a assumir as Loterias Instantâneas.

E há, ainda, um outro agravante nessa questão das loterias. A recente Medida Provisória que destina seus recursos para o Fundo Nacional de Segurança Pública (MP 841, de 11 de junho passado), que passará a receber a maior parte do dinheiro arrecadado. Mesmo sem qualquer leilão, essa MP já reduz o repasse de outros beneficiários, como cultura, esportes, Fies etc.

O movimento sindical e associativo e os parlamentares engajados na defesa de uma Caixa pública e para os brasileiros vêm reagindo aos ataques privatistas. Especificamente no caso da Lotex há uma emenda aditiva à MP 841 apresentada pela deputada federal Erika Kokay (PT-DF) para que seja garantido o direito da Caixa em participar do leilão ou que, posteriormente, possa ter participação societária ou, ainda, integração contratual ao consórcio vencedor. Já uma análise jurídica realizada para a Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas e Fenae aponta que a exclusão da Caixa do processo contraria o interesse público e a economia popular.

Por conta disso, representantes da Fenae e do Sindicato dos Bancários de Brasília se reuniram no último dia 20 com o procurador da República Carlos Henrique Martins Lima, do Ministério Público Federal (MPF), para denunciar os problemas e solicitar análise do órgão quanto à privatização da Lotex.

Os brasileiros devem ter clareza de que as loterias não são apenas um entretenimento ou jogos de azar. Elas são fundamentais para a existência de muitos dos programas sociais que conhecemos hoje e podem simplesmente desaparecer, deixando milhões de pessoas na mão, além de tirar da Caixa uma operação que contribui para a importância e manutenção do banco público. As consequências virão inclusive para os empregados da instituição, que já sofrem hoje as investidas privatistas com reduções e cortes de postos e direitos. Com a venda da Lotex, não há vencedores no Brasil.

 

* Rita Serrano é representante dos empregados da Caixa no Conselho de Administração e coordenadora do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas. É mestra em Administração

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O que é ideologia

Frei Betto*
Toda pessoa recebe, pelo condicionamento social em que está inserida, determinada configuração do mundo e da história pela qual se situa e se entende dentro da sociedade. Esta configuração reúne um conjunto de ideias, valores e princípios de ordem jurídica, social, moral, política e religiosa. A esse conjunto chamamos ideologia.

Ideologia não é algo que se pode ter ou não, dependendo da própria vontade. É algo que se possui sem consciência de que se possui. É a maneira pela qual vemos os acontecimentos da vida e da história, e nos situamos diante deles. São os óculos através dos quais encaramos o mundo de determinada cor e forma. Ninguém enxerga sem os olhos, porém ao enxergar algo ninguém vê os próprios olhos. Assim ocorre com a ideologia. Por meio dela – que resulta de nossas concepções morais, políticas, sociais, artísticas ou religiosas, nem sempre explícitas -, vemos e interpretamos a realidade objetiva na qual nos situamos.

A ideologia expressa nossa teoria sobre a vida, o mundo e a história. Os antigos acreditavam que o cosmos era uma ordem hierarquicamente disposta, e a Terra ocupava o seu centro, em torno da qual girava o sol. Desta óptica ideológica de interpretar o mundo tiravam consequências práticas, como acreditar que pessoas que ocupavam o polo superior da escala social eram mais abençoadas por Deus que as demais situadas na escala inferior. Portanto, além de exprimir certa teoria, a ideologia determina também hábitos e costumes, ou seja, uma práxis.

A maneira de pensar e viver predominante em uma sociedade corresponde geralmente ao modelo ideológico imposto pelo grupo social que domina esta sociedade. Em uma economia competitiva, baseada na acumulação privada da riqueza e na busca desenfreada de lucro, é natural que se acredite que o ideal à felicidade se resume em ser rico, mesmo em detrimento da ampla camada da população desprovida dos recursos mínimos à sobrevivência.

Assim, a ideologia da sociedade consumista impõe seus valores por meio de programas de TV, sites, revistas em quadrinhos, livros de história que evitam interpretar os fatos pelo ângulo dos humilhados e ofendidos. O jovem, mais maleável a essa influência, sonha com a vida opulenta de seus heróis. A propaganda manipula “valores” que socialmente aparecem como os mais importantes na vida: poder, fama, riqueza e beleza. E sugere produtos pelos quais tal “valor” pode ser facilmente alcançado: carro, cigarro, perfume ou roupa de determinada grife.

Para o rolo compressor publicitário, converter uma pessoa significa infundir-lhe novos hábitos de consumo através da crença de que, assim, estará adquirindo um novo status social.

Nada mais ideológico do que alguém supor não ter ideologia. Todos a temos, e ela favorece o nosso altruísmo ou egoísmo, respeito ou preconceito ao diferente, ideal solidário ou arrogância colonialista.

 

* Frei Betto é escritor, autor do romance “Minas do Ouro” (Rocco), entre outros livros.
freibetto.org      Twitter: @freibetto

 


© Copyright 2018 – FREI BETTO – Favor não divulgar este artigo sem autorização do autor. Se desejar divulgá-los ou publicá-los em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, entre em contato para fazer uma assinatura anual.
MHGPAL – Agência Literária (mhgpal@gmail.com)

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Redes digitais: o alvo é você!

Frei Betto*

 

As redes digitais, ao encurtarem a distância entre estranhos, permitem que se posicionem em relação ao que você expressa. Ao postar uma opinião a respeito de um político, um partido, um fato do noticiário, fica-se totalmente exposto a todo tipo de reação. Saiu do armário, tomou chuva (ou chumbo)!

Muitos internautas com certeza manifestam-se favoráveis, reforçam a sua postura, tratam de felicitá-lo por pensar daquela maneira. Como as redes ultrapassam as fronteiras dos relacionamentos entre amigos, é possível que você não tenha a menor ideia de quem sejam muitos que o apoiam. Assim, a sua autoestima se vê gratificada por tantos que encaram os fatos pela mesma óptica que a sua.

Outros, porém, reagem criticamente ao que você posta. Reações educadas de quem contra-argumenta e expõe uma opinião contrária à sua; reações raivosas de quem exala ódio por você ousar pensar como pensa; reações agressivas de quem tenta ridicularizá-lo e profere todo tipo de ofensa para tentar deslegitimar a sua opinião e até mesmo “assassiná-lo” virtualmente.

Diante das ofensas, você se sente ferido em sua autoestima e revida no mesmo nível de baixaria. Ou ignora a agressão, sacode a poeira e dá volta por cima.

A primeira reação comprova que, de fato, você tem baixa autoestima. Entra no jogo armado por seus adversários. E ao revidar no mesmo tom talvez se sinta vingado, mas terá apenas dado murro em ponta de faca.

Suas reações não farão ninguém mudar de opinião. Acima das ofensas a você reina o preconceito. Seus detratores não estão propriamente interessados em contestar suas ideias. Eles odeiam você. Qualquer coisa que você diga é rejeitada de antemão.

É o que seu nome, sua pessoa e suas opções representam que tanto incomodam. Prova disso é que não conseguem ignorá-lo e ficam atentos ao que você posta, como o atirador na trincheira espera que o inimigo erga a cabeça no lado oposto.

Se você, contudo, ignora os detratores é sinal de que suas convicções estão enraizadas e sua autoestima resolvida. O ódio é um veneno que alguém ingere esperando que o outro morra. Como não foi você que ingeriu, o melhor é prosseguir em suas opções ciente de que, como dizia Nelson Rodrigues, a unanimidade é burra, e a diversidade, inclusive de opiniões, é uma das virtudes da democracia.

Não se deixe abalar pelas reações negativas às suas postagens. Nem se permita consumir por essa guerrinha de opiniões que induz inúmeras pessoas a perderem um tempo inestimável (e irrecuperável) transitando pelas redes digitais.

Seja coerente com as suas ideias e opções. E evite ser opositivo, seja propositivo. Saiba que muitos de seus detratores são movidos pela inveja. E inveja é a frustração de não possuir o bem alheio.

Se você é feliz com a postura que assume na vida, que importam ofensas e agressões? Faça do silêncio a sua melhor resposta. Caso contrário você se atolará no pântano das intrigas e se afogará no lago da maledicência.

 

* Frei Betto é escritor, autor do romance “Aldeia do silêncio” (Rocco), entre outros livros.
freibetto.org     Twitter: @freibetto

 


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Carta ao general Braga Netto

Frei Betto*

 

General, o Rio precisa de intervenção cívica, e não militar. O Estado fluminense e a prefeitura carioca estão acéfalos.

Em 10 anos de implantação das UPPs houve tempo suficiente para evitar que uma geração de crianças e jovens escapasse das garras do narcotráfico. Cometeu-se o equívoco de instalar postos policiais nas comunidades, e não escolas, cursos profissionalizantes, quadras de esportes, oficinas de dança, teatro, música e literatura.

O Exército brasileiro acumula uma história de fracassos. Promoveu um genocídio no Paraguai, e até hoje os arquivos da guerra no século XIX são mantidos secretos para não envergonharem a nossa história militar. Fez uma matança desnecessária em Canudos para evitar que os nordestinos se livrassem da tutela dos donos de engenhos.

Deixou-se manipular pela Casa Branca, em 1964, para derrubar o governo democraticamente eleito de Jango, e implantou uma ditadura que durou 21 anos.

Não permita, general, que haja novo fracasso. Não autorize seus soldados a se transformarem em assassinos fardados que, ao ingressar nas comunidades, primeiro atiram e depois interrogam.

Sua missão será tão inútil quanto a das UPPs se acreditar que a violência que assola o Rio é culpa apenas do narcotráfico, dos bandidos e das milícias.

As causas é que precisam ser urgentemente combatidas: a desigualdade social, o sucateamento da escola pública, o desemprego, a falência do sistema de saúde.

Não admita que seus soldados e oficiais sejam corrompidos, como ocorre a tantos policiais e autoridades que engordam a conta bancária ao fazer vista grossa para o crime organizado. De onde procedem as sofisticadas armas em mãos dos bandidos? Quem os mantém previamente informados das operações repressivas?

Os problemas não estão apenas nos morros. Estão, sobretudo, no asfalto, onde residem os que alimentam o narcotráfico, os políticos corruptos, os que permitem que o nosso sistema carcerário seja sede do comando do crime.

Salve a imagem do Exército, general. E convença os governantes do povo fluminense e carioca a renunciarem, para que sejam convocadas eleições antecipadas. A democracia é sempre a melhor alternativa!

 

* Frei Betto é escritor, autor de “Calendário do poder” (Rocco), entre outros livros.
freibetto.org     Twitter: @freibetto

 

 


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Previdência: essa conta não é do trabalhador

Por Adriana Nalesso*

 

A cara de pau dos empresários brasileiros nós já conhecemos, mas eles conseguem sempre nos surpreender com suas declarações e atitudes.

Um anúncio de página inteira assinado pela Firjan – Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro – está sendo divulgado nos grandes jornais responsabilizando todos os brasileiros pelo déficit da Previdência.

Esse é mais um dos grandes absurdos que o governo está tentando empurrar para a conta dos trabalhadores. E os empresários, como um dos maiores patrocinadores do golpe, ajudam com prazer.

De acordo com levantamento da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, empresas devem R$ 426,07 bilhões à Previdência Social. O valor corresponde a quase três vezes o déficit alegado pelo governo Temer para justificar a reforma da Previdência. Somente os cinco maiores bancos, Bradesco, Itaú, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica devem juntos mais de R$ 1,3 bilhão.

O governo acabou de anunciar que não vai cobrar, mais uma vez, os R$25 bilhões sonegados pelo Itaú relativos à valorização do banco devido à fusão com o Unibanco. Parte desse dinheiro sonegado seria destinado ao pagamento da Previdência Social.

Será que ainda existe alguma dúvida de quem é a culpa do déficit da Previdência? Nós, trabalhadores, não temos somente a convicção, mas temos provas que o governo mente ao afirmar que a Previdência é deficitária. Se dívidas como a dos banqueiros e empresários fossem cobradas e o próprio governo pagasse a sua parte na conta, os trabalhadores não precisariam ser penalizados por um governo que tem como meta tirar todos os direitos adquiridos e nos transformar em máquinas operando com sua capacidade máxima.

Medidas como taxação de grandes fortunas, venda de imóveis da Previdência, que estão sem uso, melhoria da fiscalização e cobrança dos devedores já deixariam a Previdência com superávit, e, quem sabe, poderiam até pagar as aposentadorias milionárias do Temer (R$68.985), Sarney (R$109.892), Fernando Henrique Cardoso (R$67.450) e tantos outros que apoiaram o golpe e querem que o trabalhador pague pelas suas mordomias.

 

* Adriana Nalesso é presidenta do Sindicato dos Bancários Rio de Janeiro

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Mais caro, mais sujo

por Ikaro Chaves e Fabiola Latino*

 

Não é verdade que o projeto do governo Temer para o Setor Elétrico Brasileiro se resuma à privatização da Eletrobras, ele vai muito além, mas assim como a irresponsável proposta de privatizar a maior empresa de energia elétrica da América Latina, a mudança no marco legal do setor aponta para um perigoso e insustentável futuro para o país.

O Brasil construiu uma das matrizes energéticas mais limpas e renováveis do mundo, muito em função do setor elétrico. A título de comparação, no ano de 2016 quase 70% da energia elétrica produzida no Brasil teve origem hidráulica, enquanto que na China, maior consumidor desse produto no mundo, mais de 60% da produção teve por base o carvão mineral. Entretanto essa vantagem econômica e ambiental está seriamente ameaçada.

A nota técnica n°5, da consulta pública 33 do Ministério das Minas e Energia (MME), lançada em julho de 2017, chamada “Proposta de aprimoramento do marco legal do setor elétrico” traz dentre outras proposições a separação entre energia e lastro (garantia de fornecimento). Hoje as usinas vendem sua garantia física, ou seja, um certificado de capacidade de produção de energia no decorrer de um ano.
Um dos problemas mais sérios do setor elétrico brasileiro, o GSF (Generation Scale Factor) que nada mais é do que a diferença entre as garantias físicas das usinas e a energia que elas efetivamente são capazes de entregar. Essa diferença tem causado sérios problemas às geradoras e no fim das contas aos consumidores, pois esse déficit hídrico é suprido pela geração termelétrica, muito mais cara, dando origem às bandeiras tarifárias.

A solução proposta é que as usinas, sejam elas hidráulicas, térmicas ou de outra fonte, vendam energia e lastro, ou seja, confiabilidade. Os critérios propostos pelo MME para valorar o tal lastro são: confiabilidade; velocidade de resposta às decisões de despacho; contribuição para as perdas de energia elétrica; economicidade proporcionada ao sistema de transmissão ou de distribuição necessário ao escoamento da energia gerada; capacidade de atendimento à demanda de energia elétrica nos momentos de maior consumo e capacidade de regulação e tensão e frequência.

As características acima listadas em tudo favorecem a geração termoelétrica, dentre outras coisas porque uma usina térmica pode ser construída próxima ao centro de carga e, desde que haja combustível, pode gerar em potência máxima sempre que solicitada. Muito diferente de uma hidrelétrica, por exemplo, que depende da disponibilidade de água para gerar, ou mesmo das usinas eólicas, totalmente dependentes do regime dos ventos.

A suspeita de que o governo trabalha na direção do aumento da geração termoelétrica a combustíveis fósseis é reforçada pelos dados do Plano Decenal de Energia (PDE) 2016-2026, fornecido pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Nesse plano prevê-se para o período um incremento de 1.317 MW de energia hidrelétrica e de 2.667 MW em térmicas, além disso o PDE prevê um incremento de 23.529 MW em pequenas centrais hidrelétricas, eólicas, biomassa e solar.

Três coisas chamam a atenção no PDE: 1. A energia termoelétrica, mais cara, mais poluente e não renovável crescerá mais que o dobro da energia hidrelétrica; 2. Há uma aposta muito forte no crescimento da energia eólica; 3. Por conta da intermitência da geração eólica aposta-se numa tal “geração alternativa de ponta”, muito provavelmente térmica e que somaria nada mais nada menos que 12.198 MW.

É inadmissível que o Governo faça uma proposta completamente desalinhada dos protocolos internacionais dos quais o Brasil é signitário. A COP 17 e o Rio +20, apontam a necessidade de investimento em energia limpa, renovável. O documento “O Futuro que Queremos”, resultado do Rio +20, aponta o “papel fundamental que a energia desempenha no processo de desenvolvimento, já que o acesso a serviços de energia modernos sustentáveis contribui para a erradicação da pobreza, salva vidas, melhora a saúde e atende às necessidades básicas do ser humano. Ressaltamos que esses serviços são essenciais para a inclusão social e a igualdade de gênero, e que a energia é também uma contribuição essencial para a produção.”

A hidroeletricidade é energia barata, renovável e muito menos geradora de gases de efeito estufa do que a termoeletricidade gerada por combustíveis fósseis. Os reservatórios das usinas hidrelétricas funcionam como grandes baterias de acumulação de energia na forma de energia potencial gravitacional, regulando o despacho de carga de forma eficiente e barata. Na verdade, esses reservatórios, quase sempre, trazem muito mais benefícios às populações do que apenas a geração de energia. Controlam a vazão dos rios, são utilizadas para a irrigação, a pesca, o abastecimento humano e animal e até para o lazer. O potencial hidrelétrico brasileiro é de 260 mil MW, desses apenas 30% foi utilizado e o remanescente, em condições de ser aproveitado seria capaz de mais do que dobrar nossa capacidade instalada de energia hidrelétrica.

Nos países mais desenvolvidos do mundo, quando há potencial hidrelétrico este é utilizado, é assim na Noruega, no Canadá, na França, no Japão e nos EUA, por exemplo. Já no Brasil, a despeito de nossa expertise na construção e operação de usinas hidrelétricas, os obstáculos legais para a construção de novas usinas são tão grandes que mesmo ainda possuindo imenso potencial estamos preferindo deixa-lo de lado para queimar combustíveis fósseis. Países como a Alemanha e a Espanha, onde se verifica grande crescimento das energias eólica e solar, buscam novas opções tecnológicas para resolver o problema da intermitência dos ventos e do sol, mas por lá, basicamente, quem ainda cumpre esse papel são as térmicas.

Nos anos 90, quando o governo FHC propôs sua remodelação do setor elétrico, buscou inspiração na Inglaterra, que privatizou e mercantilizou completamente o setor. Na época, especialistas alertavam que o modelo inglês não poderia ser copiado no Brasil porque enquanto o sistema elétrico britânico era baseado na geração térmica, por aqui a base era hidráulica. Pois bem, passados mais de 20 anos da reforma neoliberal no nosso setor elétrico e quando fica cada vez mais evidente a inadequação desse modelo, ao invés de readequar o marco legal à realidade brasileira de uma matriz fortemente hídrica e renovável o governo parece disposto a mudar a matriz energética brasileira, tornando-a mais parecida com a inglesa, baseada em combustíveis fósseis.

A hidroeletricidade é o complemento perfeito para suprir essa deficiência das fontes intermitentes e se os países europeus ainda tivessem potencial hidrelétrico a aproveitar certamente o fariam, mas por aqui, mesmo contando com essa dádiva da natureza, pelo visto vamos preferir pagar mais caro e poluir mais o planeta.

 

* Íkaro Chaves é integrante da secretaria de Formação Sindical e Cultura do Sindicato dos Urbanitários do Distrito Federal (STIU-DF) e foi representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Eletronorte. Fabiola Latino é diretora do Sindicato dos Urbanitários do Distrito Federal (STIU-DF), pela secretaria de Política Externa, e secretária de Energia da Confederação Nacional dos Urbanitários (CNU).

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Atrasos na educação brasileira

Frei Betto*

 

Os cortes no orçamento da Educação, feitos pela tesoura implacável de Temer, fazem de seu governo uma ponte para o passado.

O IBGE divulgou, no apagar das luzes de 2017, dados do PNAD que retratam a situação educacional do Brasil em 2016. O analfabetismo perdura em 7,2% da população com mais de 15 anos de idade. São 11,8 milhões de analfabetos, equivalente à população de Cuba, que erradicou o analfabetismo em 1961.

Convém lembrar que o PNE (Plano Nacional de Educação), aprovado em 2014, previa para 2015, ano anterior ao dos dados acima, a redução do analfabetismo, que abrangeria apenas 6,5% da população… Prevê ainda a erradicação total do analfabetismo no Brasil para 2024, daqui a sete anos. Além de Cuba, já eliminaram o analfabetismo, na América Latina, Venezuela, em 2005, e Bolívia, em 2008.

Entre os jovens de 14 a 29 anos, 33,4% estavam empregados mas não matriculados em uma escola, em 2016. Estudavam e não trabalhavam 32,7%. Estudavam e trabalhavam 13,3%. E o mais grave: a turma do nem nem, que nem estudava nem trabalhava alcançava o índice de 20,5%, ou seja, 24,8 milhões de jovens daquela faixa etária.

De cada 100 alunos que concluíram o ensino médio, apenas 7 aprenderam o suficiente em matemática, e 28 o conteúdo básico de língua portuguesa.Quantos de nossos universitários são capazes de fazer cálculos simples sem uso de calculadora ou redigir uma carta sem graves erros de gramática?

Apenas 53% dos adolescentes de 15 anos chegam ao ensino médio, com 34% deles ainda no ensino fundamental. Na média dos países ricos, 90% dos estudantes entre 15 e 17 anos já chegam nesta etapa.

Houve algum avanço no Brasil: a fatia de estudantes que concluíram o ensino médio subiu de 53%, em 2010, para 64%, em 2015.

Porém, na educação infantil os índices estão abaixo da média. Apenas 3,1 milhões de crianças de 0 a 3 anos frequentam creches, o que equivale a 30,4% da população nessa faixa etária.

O acesso ao ensino superior avançou no Brasil, mas ainda está abaixo da média. Só 15% dos adultos (25-64 anos) chegam a esta etapa do ensino, abaixo de países como Argentina (21%), Chile (22%), Colômbia (22%), Costa Rica (23%) e México (17%).

A diferença de salário entre quem faz faculdade e quem não faz é maior no Brasil do que em outros países: uma graduação pode render salário até 2,4 vezes maior no país, ante 1,5 na média dos países da Europa Ocidental. Se o profissional tiver doutorado, a diferença é de 4,5 vezes, mais do que o dobro da Europa Ocidental.

O salário pago aos professores brasileiros também está abaixo da média – paga-se o equivalente a 13 mil dólares por ano, em média, e 30 mil dólares nos países ricos.

Apesar da gravidade dos dados, Temer continua cortando verbas da Educação.

 

 

* Frei Betto é escritor, autor de “Cartas da prisão” (Companhia das Letras), entre outros livros.
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