Defender a Soberania sem romper o diálogo – Por Nilton Esperança

Pouco mais de seis meses após suspender uma tarifa de 40% sobre produtos brasileiros, o governo dos Estados Unidos propôs uma nova taxação de 25% sobre importações do Brasil, alegando práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano. A medida está em consulta pública e pode entrar em vigor após 25 de julho.

Entre os motivos apontados, estão o suposto favorecimento ao Pix; decisões judiciais brasileiras que determinam a remoção de conteúdos de plataformas americanas; demora na concessão de patentes; tarifas sobre o etanol dos EUA; e acordos comerciais com outros países.

Enquanto isso, o governo brasileiro busca abrir um canal direto e eficaz de diálogo com Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos, para tratar do combate ao crime organizado e reduzir possíveis impactos da decisão de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. O governo teme que essa classificação venha a prejudicar mais a nossa economia, do que propriamente o crime organizado.

A nova tarifa proposta pelos Estados Unidos parece ter uma motivação mais política do que comercial, ao questionar decisões que fazem parte da soberania brasileira, como o funcionamento do Pix, políticas econômicas e decisões judiciais. Medidas desse tipo acabam prejudicando a relação entre dois importantes parceiros comerciais.

Também é discutível a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas. Embora sejam grupos extremamente violentos, suas atuações estão ligadas, principalmente, ao lucro obtido por atividades criminosas, e não a objetivos políticos ou ideológicos. Na prática, o combate a essas facções depende mais de inteligência, cooperação policial e rastreamento financeiro, do que de mudanças na nomenclatura jurídica.

Por isso, o Brasil deve manter o diálogo com os EUA, mas sem abrir mão de sua autonomia para definir suas próprias políticas econômicas e estratégias de segurança pública, e longe de qualquer intenção eleitoreira.

Nilton Damião Esperança – 
Presidente da Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro dos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo (Fetraf RJ/ES)