O fim da escala 6×1: trabalho digno exige coragem para mudar – Por Nilton Esperança

O debate sobre o fim da escala 6×1 voltou à pauta nacional e representa uma das discussões mais importantes sobre as relações de trabalho no Brasil. Mais do que alterar uma jornada, o que está em jogo é o direito de milhões de trabalhadores de conciliarem emprego, família, saúde, descanso e qualidade de vida.

Durante audiência realizada no Senado Federal, trabalhadores, empregadores e especialistas apresentaram suas posições. Ficou evidente que o país precisa enfrentar essa discussão com responsabilidade, mas também com sensibilidade social. Em uma sociedade marcada pela evolução tecnológica, pela automação e pelo aumento da produtividade, manter modelos de trabalho concebidos para outra realidade significa ignorar as transformações do mundo moderno.

Há um ponto que deveria unir diferentes setores: jornadas excessivas impactam diretamente a saúde física e mental dos trabalhadores, aumentam os índices de adoecimento, comprometem a convivência familiar e reduzem a qualidade de vida. Os efeitos são ainda mais profundos para mulheres, trabalhadores periféricos e aqueles que enfrentam longos deslocamentos diariamente. Defender uma jornada mais equilibrada é defender saúde pública, dignidade e justiça social.

Infelizmente, o debate também revelou o quanto ainda existe de resistência por parte de setores que enxergam o trabalhador apenas como custo. Chamou atenção a declaração de uma representante da Fiesp, que afirmou ser contrária à proposta por entender que ela poderia comprometer o funcionamento de estabelecimentos comerciais aos fins de semana, mencionando, inclusive, a dificuldade de frequentar um salão de beleza aos sábados. A fala evidencia o distanciamento entre parte das elites econômicas e a realidade vivida por quem trabalha seis dias consecutivos para garantir o sustento da família. É preocupante que interesses individuais sejam colocados acima da necessidade de assegurar melhores condições de vida para milhões de brasileiros.

A história demonstra que toda conquista trabalhista enfrentou resistência. O 13º salário, as férias remuneradas e diversos outros direitos também foram apresentados, em seu tempo, como ameaças à economia. O Brasil continuou crescendo e esses direitos se consolidaram como pilares das relações de trabalho. O mesmo pode acontecer com a revisão da escala 6×1, desde que haja diálogo, planejamento e compromisso com o desenvolvimento sustentável.

O Sindicato dos Bancários de Três Rios e Região reafirma seu compromisso com a defesa dos trabalhadores e entende que crescimento econômico e qualidade de vida caminham juntos. Não existe desenvolvimento verdadeiro quando ele é sustentado pelo esgotamento físico e emocional de quem produz a riqueza do país.

Agora, cabe ao Congresso Nacional transformar o debate em ação. Os trabalhadores brasileiros esperam que seus representantes estejam à altura desse momento histórico, construindo soluções que fortaleçam a economia sem abrir mão da dignidade humana.

Unidos somos fortes!

Nilton Damião Esperança – 
Presidente da Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro dos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo (Fetraf RJ/ES)